Mato Grosso figura entre os estados brasileiros que registraram as maiores reduções nos registros de roubos e furtos de celulares entre 2024 e 2025. Os dados fazem parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
O estado passou da 19ª colocação em 2024, com 10.096 registros, para a 20ª posição em 2025, com 8.139 ocorrências. A queda representa uma redução de 20,6% — o que corresponde a 1.957 aparelhos a menos subtraídos no período. É a segunda maior queda registrada no país, atrás apenas do Rio Grande do Norte (-22,1%), seguido por Goiás (-19,6%), Amazonas (-19,2%) e Espírito Santo (-18,2%).
Tendência nacional
A redução é parte de um movimento em todo o território brasileiro: em 2025, foram registrados 830.890 aparelhos furtados ou roubados, contra 909.753 em 2024 — uma queda de 8,7%, ou seja, 78.863 ocorrências a menos. Dos 27 estados e Distrito Federal, 25 apresentaram redução. Apenas Rio de Janeiro (+22,7%) e Paraíba (+21,1%) registraram alta nos registros.
Na classificação nacional por volume de registros, São Paulo manteve a liderança nos dois anos, embora também tenha apresentado redução (de 287.910 para 268.184 registros). Houve mudanças nas demais posições: o Rio de Janeiro subiu da terceira para a segunda colocação, enquanto a Bahia caiu de segundo para terceiro. Pará avançou uma posição (4º) e Minas Gerais recuou uma posição (5º).
Mudanças nos padrões criminosos e medo na população
O relatório alerta ainda para uma mudança nas estratégias criminosas: em nível nacional, os furtos passaram a superar os roubos, indicando estreita relação com a prática de fraudes digitais que se aproveitam de aparelhos obtidos sem uso de violência.
Apesar da melhora nos números, os crimes contra celulares seguem gerando insegurança generalizada. Pesquisa realizada pelo FBSP em parceria com o Datafolha, em março de 2026, revela que 78,8% da população tem medo de ter o celular furtado ou roubado, e 83,2% tem receio de sofrer golpes digitais ou por meio do aparelho.
O documento também chama atenção para a subnotificação: segundo o relatório, os números reais podem ser bem superiores aos boletins de ocorrência, pois muitas vítimas não registram o crime. O FBSP destaca que a violência associada a esses delitos tem alterado o cotidiano da população, levando pessoas a evitarem sair à noite, não portar o aparelho e restringir hábitos de consumo e circulação.
