Mato Grosso, Segunda, 18 de Janeiro de 2021
Agronegocio | FRANGO CAIPIRA
Terça, 24 de Novembro de 2020
Produtores locais inovam e passam a usar ração de mandioca na criação das aves

Sabe aquele frango caipira, preparado com todo carinho? Então, em Sorriso o cuidado com esse frango inicia bem antes do momento de temperar, marinar, cozinhar e saborear. A preocupação já se faz presente na criação, objetivando ofertar ao mercado consumidor um produto final com qualidade. Para isso, os produtores sorrisenses estão investindo em um novo modelo de produção, inserindo a mandioca como a principal fonte de trato, em uma ração que vem substituindo grande parte do milho e farelo de soja usados até então.

 

Conforme a zootecnista da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente (SAMA), responsável pelo acompanhamento do projeto, Fátima Balbino Savegnago, destaca que há três meses os produtores locais iniciaram o processo de mudança. Fátima conta que a ideia surgiu depois de acompanhar a produção de perto. “Levei a proposta para os nossos produtores daqui e todos concordaram em realizar a experiência”, diz. Desde então, a mandioca ou macaxeira, está substituindo cerca de 70% do milho e 30% do farelo de soja usados como ração.

 

Para virar ração, a mandioca passa por um processo de corte e secagem. O composto é fabricado tanto com a parte aérea da planta com folhas e caule quanto com a rama. A nova ração tem substituído a composição anterior, essencialmente de milho e soja, preservando todo o valor energético e proteico necessário ao frango. A novidade tem agradado o paladar das aves e, de quebra aliviado o bolso dos produtores. “Quem já está fornecendo a ração à base de mandioca tem nos relatado uma economia de até 50% no valor de criação”, pontua Fátima. A zootecnista explica que a ração é produzida a partir do cultivo dos próprios produtores. “Eles dispõem também da farinheira para facilitar a produção do composto”, acrescenta. Para o produtor Joel Florentino, os resultados tem sido eficientes e a economia gerada bem vinda.

 

Segundo o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Mácio Kuhn, todos os produtores integram o programa de apoio à avicultura idealizado e realizado pelo município. Kuhn salienta que além da assistência técnica, que tem viabilizado avanços como o da ração de mandioca; os agricultores cadastrados receberam apoio para a construção de aviários. “Somente no ano passado subsidiamos a construção de 60 aviários”, frisa. De acordo com o secretário, o programa conta com 140 produtores cadastrados; desses, 20 famílias já estão comercializando no mercado o produto final.

 

“Hoje temos três linhas de produção final disponível ao consumidor: o frango de 70 a 120 dias criado a pasto, sem o uso de promotores de crescimento na ração, sem o uso de medicação preventiva, apenas curativa e que tem recebido a ração de mandioca, que é classificado como frango caipira; a galinha de postura que após fechar o ciclo é classificada como galinha congelada e o frango que não se enquadra em nenhum desses rótulos, classificado como frango de fazenda”, explica Kuhn. “Tudo isso requer muito trabalho, empenho por parte dos agricultores e da equipe técnica”, completa.

 

Kuhn lembra ainda que a assistência disponível desde o início da cadeia produtiva, continua no momento do abate. Desde maio de 2020 os produtores contam com local apropriado para o abate e conservação dos produtos.  Trata-se do Abatedouro Municipal de Aves, inaugurado em 20 de maio. Desde então, foram abatidos no espaço mais de 30 mil aves, o que equivale a mais de 90 mil quilos de carne. Hoje, são abatidos cerca de 200 frangos/dia. Contudo o local tem capacidade para abater de 300 a 400 frangos/dia. Toda a produção está sendo comercializada pelos produtores nas feiras livres municipais, supermercados e também direto com o cliente.

 

Além da produção já comercializada, a produção também atende o programa Mesa Saudável, desenvolvido pela Prefeitura Municipal por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) em um trabalho conjunto das secretarias de Agricultura e Meio Ambiente e Assistência Social, em que 180 famílias de baixa renda cadastradas no programa têm recebido o complemento com a galinha congelada na cesta básica.

 

Todo o processo de abate é supervisionado pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e realizado dentro dos parâmetros exigidos pelos órgãos de vigilância sanitária. “Esse acompanhamento é realizado por equipe técnica especializada, coordenado por duas veterinárias que acompanham o abate em tempo integral”, ressalta. “A próxima meta é conseguir o Serviço de Inspeção Estadual e comercializar no Estado todo”, acrescenta.

 

O Abatedouro também integra o Programa de Incentivo à Avicultura desenvolvido pela Prefeitura por meio da SAMA. A estrutura está localizada às margens do BR-163, no local que abrigava a antiga farinheira e que foi reformado e ampliado. As obras tiveram início em outubro de 2019, com um investimento de R$ 250 mil em recursos do próprio Município para parte estrutural e R$ 102 mil para a aquisição dos equipamentos necessários para o abate de animais.

 

O secretário lembra ainda que a Administração Municipal continua cadastrando novos produtores rurais no programa. Os interessados devem procurar a Sama, no Paço Municipal, das 7 às 13 horas ou entrar em contato pelo telefone 3545-4729.

 

 

Fonte:Redação/Assessoria
Autor:Claudia Lazarotto
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